https://www.portugal.gov.pt/pt/gc22/governo/comunicado-de-conselho-de-ministros?i=397 

Cara e caro Associado, responsável por alunos que frequentam a Associação Escola 31 de Janeiro:


Abrindo o link acima encontrará o comunicado do Conselho de Ministros onde se expressa a decisão de impedir todas as Escolas, nomeadamente as do Ensino Particular e Cooperativo, Associações legalizadas e da Economia Social, como é o nosso caso e Públicas com meios para o efetuarem, de desenvolver quaisquer atividades letivas e não letivas durante o período de suspensão das aulas decidido, a saber, 15 dias a partir de ontem dia 22.

O documento legal e obrigatório foi promulgado ontem e já depois da maioria das escolas estarem em atividade. Não percebe a Direção Pedagógica a decisão, por objetivamente nada ter a ver com o que efetivamente está em causa: o confinamento, o não sair à rua em defesa da saúde pública; mandaria o bom senso que se fizesse precisamente o contrário: crianças e jovens com atividades em casa e organizadas, a falar com os seus colegas, não os deixando no tédio e na falta de absoluta socialização (se cumprirem o confinamento) a não ser com a sua família mais próxima.

Se a razão releva da necessidade de igualdade entre todos os estudantes e falando apenas da nossa instituição, a Associação Escola 31 de Janeiro, os seus associados e colaboradores dispensam lições de defesa da igualdade, nomeadamente de oportunidades, como parece ser essa, a justificação implícita. A história desta escola, que fará 110 anos em 31 de janeiro próximo, é a história dessa grande vontade desde os seus fundadores, de criação de uma instituição que defende mesmo e todos os dias ” a igualdade de oportunidades”, o mérito, a liberdade de ensino e individual, a história de uma escola que se revê na Declaração Universal dos Direitos do Homem e dos Direitos das Crianças. A história de uma escola que recebeu a medalha da Ordem de Mérito da Instrução Pública em 2017 e que, por razão da sua atividade de Responsabilidade Social, mesmo em tempos de pandemia, foi nomeada e recebeu a bandeira de Escola Voluntária, entregue pela Câmara Municipal de Cascais.

O contacto com os nossos associados e EEs, com os nossos alunos e seus filhos ou educandos é, para nós, fundamental. Faz parte da nossa vida associativa em geral e enquanto Comunidade Educativa em particular, sobretudo em momentos de crise aguda como a que estamos a viver.

Verificar o número de casos e mortes, ouvir e ler o mundo trágico que já passa nas redes sociais, nas TVs, etc, e não ter uma palavra que ajude à moderação, ao conforto, ao regresso à normalidade, isso sim é criar o pior dos mundos, aquele onde a mentira e o medo podem ganhar pernas junto das crianças e dos jovens, pela falta da mediação e da conversa serena e metódica que é preciso fazer e diariamente sobre tudo isto. Importantes pelo conteúdo e pela oportunidade foram as declarações públicas da Sra Presidente do Conselho Nacional de Educação, Maria Emília Brederote dos Santos, ontem, dia 22, estranhando e insurgindo-se contra a decisão de ME de não permitir contactos online das escolas com os seus alunos.


A Associação Escola 31 de Janeiro enquanto Associação responsável socialmente, fará sessões online e em grupo/turma, uma vez por dia, com os filhos dos seus associados  que frequentam a escola. Ficará salvaguardada, por imperativo legal (do qual a Escola discorda), a não existência de qualquer atividade letiva ou não letiva, exceto no que se refere a dúvidas que algum aluno/a levante e relativamente a trabalhos (com conta, peso e medida) para período de suspensão (férias?) e colocados em plataforma própria.


O contacto para descrição de horários, atividades, etc, durante as sessões referidas, será da responsabilidade das Educadoras e das Professoras Titulares do 1º ciclo, ou de colega coadjuvante que com elas acertem fazê-lo. Em relação aos 2º e 3º ciclos e uma vez por dia também, serão estabelecidas sessões online organizadas e programadas pelos responsáveis de ciclo, DTs e professores. As informação sobre as mesmas serão enviadas pelas DTs durante o fim de semana.
Estas sessões online não serão de frequência obrigatória, devendo, no entanto e por questão de gestão das mesmas, os Associados e EEs que não pretendam a participação dos seus educandos, informar as respetivas educadoras, professoras titulares do 1º Ciclo e DTs dos 2º e 3º ciclos, dessa vontade.  


Deverão portanto aguardar pela chegada do calendário e de algumas propostas que vos serão enviadas pelos responsáveis dos grupos turma, para as sessões a decorrer todos os dias úteis de suspensão das aulas.


Não era isto o que tínhamos previsto, preparámo-nos e investimos muito, sobretudo em trabalho e planificação, para uma situação de possível confinamento, como a que está a acontecer; a irracionalidade da proposta do ministério impede-nos de realizar aquilo que, turma a turma, fomos organizando e mesmo usando neste período de tempo de aulas presenciais, com alunos em isolamento ou doentes. Embora não sejamos responsáveis por este impedimento, não podemos deixar de apresentar as nossas desculpas.


Aproveitaremos, portanto, as sessões diárias para discutir de forma aberta, positiva e tolerante  a situação pandémica do país, conhecer e ajudar em casos que sejam expostos, propor formas de combater o tédio, solicitar a todos que confinem, fiquem em casa, não se exponham ao risco, socializar e falar com os colegas, tentar repor o máximo de normalidade: devem visitar museus online, ver documentários sobre atividades lúdicas, desportivas (as melhores performances, jogadas, os exemplos de fair-play), culturais e falar entre si, todas e todos “associados” num mesmo objetivo que é o do regresso ao normal.


Esperamos estar na escola daqui a duas semanas, ou, o que poderá ser o mais certo, em aulas não presenciais. Pela nossa parte já estávamos e estamos sempre preparados. Quem de direito assuma a responsabilidade de preparar quem ainda não está.


Parede, 23 de janeiro de 2021
O Diretor Pedagógico
 
Vítor Manuel Santos Rodrigues